04 junho 2014

O verdadeiro ecumenismo está em Maria




O melhor caminho para se alcançar a unidade dos cristãos é a devoção à Virgem Maria


A separação dos cristãos constitui uma grave ofensa à vontade de Jesus Cristo, pois atenta contra a sua exortação para que todos sejam um e, assim, “o mundo creia” [1]. Ainda mais: trata-se de um verdadeiro escândalo; uma pedra de tropeço que “prejudica a santíssima causa da pregação do Evangelho a toda criatura” [2]. Neste sentido, o chamado “movimento ecumênico”, que visa à união de todos os fiéis no mesmo aprisco de Cristo, presta um grande serviço à difusão da fé. A pertença à Igreja Católica – o Sacramento Universal da Salvação – é o único meio seguro de que se tem notícia para alcançar a graça da paternidade divina, já que, como atestam os santos, não pode ter a Deus por pai quem não tem a Igreja por mãe.

O ecumenismo, por outro lado, pode assumir características bem distintas de seus propósitos genuínos, quando imbuído de um espírito pouco católico. Diga-se com todas as letras: “Não é lícito promover a união dos cristãos de outro modo senão promovendo o retorno dos dissidentes à única verdadeira Igreja de Cristo, dado que outrora, infelizmente, eles se apartaram dela” [3].

Contudo, um grande número de ecumenistas tende a pensar de maneira oposta, chegando às raias do absurdo de relativizar os dogmas de nossa fé, mormente quando se referem à Santíssima Virgem Maria. Ora, não há nada mais deplorável do que um filho que esconde a mãe, por medo do que podem pensar os outros. Quanto mais deplorável, portanto, é o católico que, achando fazer grande serviço aos irmãos separados, priva-os da maternidade de Maria, escondendo-a de seus olhos, como se se tratasse de uma mulher mundana. Quão entristecido deve ficar o coração de Jesus diante de almas tão pouco caridosas! Separam a mãe dos filhos, deixando-os à orfandade – ou acaso não foi desejo de Nosso Senhor que, desde o momento da crucificação, o apóstolo tomasse Maria por mãe? [4] Ora, se, à hora da Cruz, em São João estava representada toda a humanidade, Maria é mãe também dos protestantes.

Por isso, no diálogo com os irmãos separados, a maneira mais eficaz de atraí-los à verdadeira Igreja é apresentar-lhes a Mãe do Salvador. Quantas vezes, nos noticiários dos grandes jornais, nos deparamos com histórias comoventes de filhos que, após longos anos de separação, reencontraram suas mães? Essas histórias são verdadeiros testemunhos do quão imprescindível é a presença materna para a reta formação do filho. O próprio Cristo manifestou essa verdade, tendo vivido a maior parte de sua vida terrestre escondido do mundo, a fim de servir à sua Augusta Mãe. A esse respeito, São Luís de Montfort é mais do que taxativo: “Jesus Cristo deu mais glória a Deus submetendo-se a Maria durante trinta anos, do que se tivesse convertido toda a terra pela realização dos mais estupendos milagres” [5]. É que na docilidade da vida escondida, no trabalho do dia a dia, conformando-se à vontade do Pai e servindo à Virgem Santíssima – “era-lhes submisso” –, Jesus já operava a obra de nossa redenção, crescendo em graça e sabedoria [6].

Por isso, Maria não pode constituir um obstáculo à unidade dos cristãos; pelo contrário, a devoção mariana é um verdadeiro remédio, uma vez que “Maria, pela sua participação íntima na história da salvação, reúne e reflete, por assim dizer, os dados máximos da fé” [7]. Ela está intimamente ligada a seu filho, de sorte que os dogmas proclamados pela Igreja a seu respeito nada mais são do que luzes que iluminam ainda mais a beleza de Cristo: as duas naturezas em uma só pessoa. Está certo o Papa Bento XVI quando enfatiza que “é preciso retornar a Maria, se quisermos retornar àquelas verdades sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja e sobre o homem” [8].

Ademais, como diz uma fórmula antiga, Maria é a inimiga de todas as heresias. Isso se confirma, sobretudo, por meio do testemunho eloquente do Papa emérito Bento XVI, que, quando cardeal prefeito da Doutrina da Fé, teve de lidar com todo tipo de desvios heréticos. O auxílio da Virgem Santíssima no combate às insídias do demônio tornou-o consciente de que aquela expressão conciliar “não se tratava de exageros de devotos, mas de verdades hoje mais do que nunca válidas” [9].

O Concílio Vaticano II, que foi o que mais deu atenção à questão ecumênica, dedicando um documento inteiro a esse assunto, foi também o Concílio que reafirmou o título de Maria como “advogada, auxiliadora, socorro e medianeira” [10]. Não seria por desejo divino, destarte, que a graça da unidade dos cristãos se operasse por meio da Mãe de Jesus? Essa é a pergunta que o “movimento ecumênico” se deve fazer todas as vezes em que for questionada a oportunidade de se falar de Nossa Senhora no diálogo com os protestantes. Vale a pena repetir: de Maria nunquam satis – de Maria nunca se dirá o suficiente.

De: padrepauloricardo.org


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