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17 novembro 2015

A profética voz de Bento XVI contra o extremismo islâmico


Em 2006, Ratzinger já convidava o islamismo ao diálogo partindo da razão, e todos - incluindo o Ocidente - o atacaram sem piedade


Por Jorge Traslosheros

Enquanto a violência do autoproclamado Estado Islâmico volta-se contra os cristãos, os yazidis e outras minorias, muitas vozes se unem em condenação. Entre estas, destacam-se as do mundo muçulmano, dos líderes religiosos da Grã Bretanha, ou do King Abdullah Bin Abdulaziz International Centre for Interreligious and Intercultural Dialogue (KAICIID), com sede em Viena, passando pelos intelectuais e jornalistas de várias latitudes, até a comovente manifestação por parte das pessoas simples. A condenação é unânime. Os fanáticos manipulam o islã, transgridem o Alcorão e traem a religião que dizem professar. Isso faz lembrar o discurso do professor Ratzinger em Ratisbona.

No dia 12 de setembro de 2006, Joseph Ratzinger, atualmente Papa Emérito Bento XVI, visitou a Universidade de Ratisbona, onde havia sido professor. Ali pronunciou um memorável discurso que hoje ressoa com força. Falou da vocação natural das religiões à justiça e à paz, cuja realização depende da articulação correta entre a fé e a razão, um dos grandes tópicos da sua Teologia e do seu Magistério. Explicou que, quando falta o diálogo, apresentam-se as patologias da razão e da religião que fazem escorregar, ao extremo, rumo ao fanatismo. Diante do despertar da irracionalidade misturada ao fundamentalismo, lançou um desafio aos muçulmanos para condenar a violência como meio de impor a fé, sem aliviar também para os cristãos.

O Papa Emérito Bento XVI tinha colocado o dedo na ferida. Três lições devem ser lembradas. Por um lado, o mundo midiático e intelectual do Ocidente, que se diz expressão da tolerância e da liberdade, lançou-se com violência irracional contra Ratzinger, acusando-o de ser fanático e provocador, quando na verdade tinha convidado ao diálogo na razão. Por outro lado, muçulmanos também lançaram condenações. No fim, todos têm de dar razão a Ratzinger. Tanto um quanto o outro mostraram que sofrem das patologias descritas no discurso de Ratisbona.

A reação mais interessante e decisiva foi a do islã. Um grupo de líderes e intelectuais muçulmanos assinou uma carta na qual eles acolhiam o desafio do diálogo. O epicentro aconteceu no Reino da Jordânia, mas se estendeu rapidamente a várias latitudes. Nessa carta, apesar de algum desacordo com Ratzinger, foram condenados aqueles que pretendiam impor com a violência “sonhos utópicos nos quais o fim justifica os meios”.

É certo dizer que a aula e a carta não deram início ao diálogo entre os cristãos e os muçulmanos, mas sem dúvida foram um fator importante para promovê-lo a níveis nunca vistos antes. Hoje certamente este diálogo está dando frutos não apenas entre certas elites, mas também entre as pessoas comuns, que antes de aparecer estes fanáticos tinham feito a convivência interreligiosa como a maneira natural de ser e hoje protestam porque querem continuar a viver da mesma maneira. Esta é a voz mais forte entre aquelas que podem ser escutadas. O encontro entre o povo simples e a intelectualidade enche de esperança. Quando este relacionamento se alimenta de paciência e constância, gera movimentos culturais potentes.

A memorável aula em Ratisbona teve outras consequências que hoje podemos observar. As palavras de Ratzinger deram maior impulso a uma ideia que nasceu da realidade dos percursos religiosos do século XIX e da primeira metade do século XX, vistos à luz do Evangelho, expressos claramente no Concílio Vaticano II, alimentados pelo Magistério pontifício sucessivo e articulado ao melhor da diplomacia da Santa Sé. Deseja-se fazer da liberdade religiosa uma das pedras angulares do Direito e das relações internacionais. Aqui se encontra o constante esforço da Igreja por favorecer a voz dos líderes e dos movimentos religiosos que buscam a paz mediante a justiça, de modo que se gerem âmbitos de convivência harmoniosa em cada sociedade, iniciativa chamada genericamente de: “o espírito de Assis”. A liberdade religiosa deve se tornar cultura com o apoio das políticas públicas dos vários Estados. Um dos mais importantes promotores desta proposta, para buscar um exemplo significativo, foi o doutor Thomas Farr, que dirige o Religious Freedom Project no Berkeley Center for Religion, Peace and World Affair da ‘Universidade de Georgetown. Infelizmente nem os Estados Unidos nem a União Europeia quiseram escutar a aula de Ratisbona, ou a proposta da Igreja, muito menos as excelentes razões articuladas por acadêmicos e diplomatas de vários lugares. Quando as religiões cruzam seus caminhos, o que acontece continuamente, perdem o sentido da realidade, cegas pela própria arrogância. As tentativas de voltar à razão são interpretadas como uma violação impetrata pelo secularismo radical. É um pecado.

O Ocidente laico – políticos, intelectuais e meios de comunicação – desdenhou a proposta e, sem querer, tornou-se cúmplice, por omissão, do fundamentalismo que manipulou o islamismo até criar uma ideologia do extermínio. A sua falta de compreensão é tal que tentou manter o silêncio diante do sacrifício dos cristãos e de outras minorias no Oriente Médio, mas a dura realidade é imposta. Somente ações multilaterais baseadas em uma estratégia que faz da liberdade religiosa e do diálogo interreligioso as próprias pedras angulares poderá trazer paz, justiça e estabilidade no Oriente Médio.

Ratzinger tinha razão para além da aula de Ratisbona. Nas primeiras linhas do seu livro “Introdução ao Cristianismo”, traz as palavras de Kierkegaard sobre o palhaço na aldeia em chamas. Um circo se encontrava na periferia de um vilarejo, e de repente pegou fogo. O patrão ordenou ao palhaço que colocasse a roupa de cena para avisar do perigo eminente. Os habitantes, além de escutá-lo, riam dele tornando em vão o seu esforço. Quando conseguiram reagir era tarde demais. O vilarejo foi consumido pelas chamas. Para o Oriente Médio é mais do que uma simples parábola.

De qualquer forma, Ratzinger estava longe de exortar ao desânimo. A sua Teologia e o Magistério Pontifício foram um ponto de esperança, de alta inteligência. O seu apelo se encontra no realismo e na esperança. A situação atual de quem evangeliza na cultura da indiferença, na verdade, tem pouca coisa de novo. Como Igreja, não compartilhamos o nosso destino com o palhaço, mas com os santos e os profetas que pisaram na terra. Assim diz Jeremias: “A palavra do Senhor tornou-se para mim motivo de vergonha e gozação o dia todo. Eu me dizia: ‘Não pensarei mais nele, não falarei mais no seu nome!’ Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente, fechado em meus ossos. Estou cansado de suportar, não aguento mais!”, (Jr 20, 8-9). Este é um “fogo” que Jesus lançou no mundo e que queria tanto ver arder.

A aula de Ratisbona se transformou em uma evocação. O Reino de Deus parece uma semente que, uma vez colocada na terra, cresce dia e noite mesmo se o trabalhador não percebe, até dar frutos abundantes.


[Leia aqui: Aula Magna de Bento XVI na Universidade de Ratisbona]

 
De: aleteia.org


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18 novembro 2014

Conheça a história dos ex-anglicanos que se tornaram católicos

Peregrinos do ordinariato anglo-catolico inglês -




Há 5 anos, Bento XVI estabeleceu os ordinariatos de ex-anglicanos: já são umas  90 comunidades

O  dia 4 de novembro de 2009, Bento  XVI promulgou a  constitucição apostólica Anglicanorum Coetibus, para acolher a grupos de cristãos de tradição anglicana que queriam entrar em plena comunhão  com a  Igreja Católica mantendo os elementos do  patrimônio cultural e litúrgico anglicano.

Foi a  origem dos três ordinariatos anglocatólicos atuais, em os que se foram integrado mais de 3.000 ex-anglicanos nestes cinco anos, em quase 90 comunidades na Gran Bretanha, Estados Unidos, Canadá e Austrália.

Os  primeiros, 5  bispos
Os primeiros em dar o  passo foram cinco  bispos  anglicanos, cansados de ver a  deriva doutrinal do  anglicanismo, cada vez mais longe da  Escritura e da  Tradição, e sem perspectivas da  unidada que Cristo pede a sua igreja. Se querian viver a  unidade, tinham que dar o  passo eles, pessoalmente.

Eram os  bispos  anglicanos de Ebbsfleet, Andrew Burnham; de Richborough, Keith Newton, e de Fulham, John Broadhurst, e dos  bispos  já jubilados: Edwin Barnes, que esteve a frente de Richborough, e David Silk, ex bispo de Ballarat (Australia). E com els vieram suas esposas, filhos, congregação, clero…




A frente, monsenhores que não são bispos
Em 2011 O  Papa Bento  XVI criou O  Ordinariato Pessoal de Nossa Senhora de Walsingham, para os ex-anglicanos das Ilhas Britânicas. E pôs à frente Keith Newton, que não tinha nem um ano de experiência como católico. Era um  homem casado, de forma excepcional agora ordenado como sacerdote católico.

Se convertia em  pastor dos anglocatólicos do  ordinariato britânico, tinha título de monsenhor, direito a carregar símbolos de pastoreio (mitra, peitoral, báculo)…  mas não seria bispo. Igualmente como nas Igrejas Católicas orientais e nas Igrejas Ortodoxas, embora se ordene como sacerdotes a homens casados, o episcopado seguiria reservado a homens celibatários.

Esse seria o  modo para os outros dos ordinariatos: pôr a frente ex-anglicanos, agora sacerdotes católicos, casados, que tiveram responsabilidades de governo. Isso nãoo impede que no futuro o  ordinário possa ser  um  bispo, se é celibatário.

Nos ordinariatos, como nas Igrejas católicas de rito oriental, é possível ordenar sacerdotes a   homens    casados,  mas  não casar a sacerdotes. Ademais, se ficam viúvos, não devem voltar a casar-se. Nas Iglesias de rito oriental, estas ordenações são habituais, enquanto que nos ordinariatos requerem uma dispensa especial caso a caso.




Estados Unidos, Canadá, Austrália...
Ao início de 2012 o Papa criou o  Ordinariato da  Cátedra de Pedro, com comunidades nos Estados Unidos e no Canadá. A frente pôs a Jeffrey Steensão , que havia sido bispo episcopaliano no Texas e se havia convertido ao catolicismo vários anos antes.

E ao fim do ano Bento  XVI deu sinal verde ao Ordinariato da  Cruz do  Sul, na Austrália, com Harry Entwistle à frente. Havaa sido pároco anglicano na Inglaterra, logo na Austrália e depois bispo de uma Igreja conservadora anglicana, a  Traditional Anglican Church.

Cinco anos de dificuldades
Os desafios nestes 5 anos têm sido grandes. Não havia uma liturgia comum e própria, e havia que discerni-la.

Ademais, os novos católicos chegavam de ambientes muito distintos e comunidades muito diversas: anglicanos de estilo carismático, outros de estilo latino, uns da  Igreja Episcopal, outros de diversos grupos sem trato com Canterbury… Ao fazer-se católicos, perdian seus edifícios e parte de sua paróquia, a se encontravam celebrando sua fé em lugares distantes do que acostumavam e as vezes alugados, ou emprestados, nem sempre acolhedores.

Para a  Igreja Católica, especialmente na Inglaterra, não Foi  economicamente fácil acolher a  onda de ex-clérigos anglicanos, com suas esposas e filhos, que pouco a pouco foram sendo ordenados como sacerdotes católicos. Se lhes buscou trabalhos em capelanias de hospitais, prisões, escolas, com soldos dos que ajudassem a manter sua família. Nem sempre se conseguiu.

Segundo Dwight Longenecker, sacerdote católico que antes fora  pastor evangélico e depois anglicano, atualmente há no mundo uns 500 sacerdotes católicos em atividade que são  ex-clérigos anglicanos e estão casados. Destes, uns 140 estão nos ordinariatos. Outros, por conveniência, distancia ou por mil circunstâncias servem a  Igreja desde as dioceses, sobre todo, da Inglaterra e Estados Unidos.

Conseguir  um  templo próprio
Conseguir  um  templo próprio (embora seja emprestado) é o  grande sonho da  maioria dos 90 grupos anglocatólicos atuais. O grupo de Bladensburg, perto de Washington, tinha unos 85 membros (parece pouco,  mas   é o  equivalente a  maioria das paróquias episcopais). Quando conseguiram  um  templo próprio em St. Luke em seguida subiram a mais de 125 membros.

Há umas  semanas, O  Papa emérito Bento  XVI escreveu aos amigos do  Ordinariato de Nossa Senhora de Walsingham esperançoso a saber que a  Igreja da  antiga embaixada londrina de Baviera –de donde é o- era agora a  sede em Londres do  ordinariato. Dizia sentir-se “particularmente alegre” pelo ordinariato, e estava comovido pelos agradecimentos que recebeu por ter criado os ordinariatos.

Animados a evangelizar e acolher conversos
Os números dos ordinariatos ainda são humildes, e menores do que se pensava há 5 anos. Alguns grupos eram demasiado pequenos, e seus integrantes simplesmente acabaram-se incorporando à paróquia católica local.

Por outra parte, uma nova normativa detalhou que, evidentemente, um metodista (ou muçulmano, ou ateu) que queira converter-se ao catolicismo poderia fazê-lo dentro de  um  ordinariato e desfrutar de suas particularidades litúrgicas. Portanto, se anima aos ordinariatos a evangelizar e acolher conversos.

Também se lhes anima a somar sua diversidade de estilos a procedências, criando uma nova realidade. E seus 140 clérigos, todos  com experiência evangelizadora e de pastoreio, são  uma força nada desdenhável. Esta originalidade pode ser uma de suas forças em no  futuro.

O  ordinariato britânico
Na Grã Bretanha, O  ordinariato conta com 40 comunidades, 86 sacerdotes (todos ex-anglicanos de conversão reciente), 1.500 laicos e duas comunidades de religiosas. Gales e Escócia apenas contam com um par de grupos pequenos.

O  ordinariato Norte Americano
Na America do Norte e com o  desafio de umas  distancias enormes, o  ordinariato conta com mais de 35 grupos, uns 1.600 fiéis e  mais de 40 sacerdotes entre Estados Unidos e Canadá. A favor têm uma melhor situação econômica na Igreja local e melhores instalações. Ademais, Estados Unidos é um  país muito mais religioao y dinâmico que a Inglaterra e se espera  um  crescimento tranquilo  mas   sustentável e ordenado.

O  ordinariato australiano
Australia é o  mais novo e quiçá frágil dos ordinariatos e também enfrenta o  problema das grandes distâncias. Conta com 12 comunidades e mais ou menos outros tantos clérigos. Tem o  projeto de incorporar paróquias inteiras de ilhas de  Estreito de Torres,  um  projecto missionário de grande portento que requererá recursos e esforço.


Significado histórico
Os ordinariatos anglo-católicos são  uma realidada nova na  Igreja, e seu crescimento pode ser lento, ao menos nesta fase,  mas   estão aí para ficar, e pode ser que no  futuro se criem mais em países de África ou Ásia. Há 5 anos não existiam. Agora contam com 90 comunidades. Há dificuldades,  mas não escândalos nem crises graves. Tudo tem funcionado razoavelmente bem.

 “Cada certo tempo tem lugar um grande momento. Poucos momentos, quiçá nenhum, tem mais significado desde a Reforma Protestante que a Anglicanorum Coetibus”, disse O  padre Lewis ao National Catholic Register em Saint Luke, perto de Washington. Em 2012 Foi  ordenado como sacerdote católico depois de muitos anos como clérigo anglicano e está agradecido. “O  Papa Bento , com  um  movimento de pluma, abriu a  porta a grupos inteiros de anglicanos para que se reúnam com a  Santa Madre Igreja”. Muitos deram o  passo e outros lhes seguirão.

 


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16 setembro 2014

A profética voz de Bento XVI contra o extremismo islâmico


Em 2006, Ratzinger já convidava o islamismo ao diálogo partindo da razão, e todos - incluindo o Ocidente - o atacaram sem piedade

Por Jorge Traslosheros

Enquanto a violência do autoproclamado Estado Islâmico volta-se contra os cristãos, os yazidis e outras minorias, muitas vozes se unem em condenação. Entre estas, destacam-se as do mundo muçulmano, dos líderes religiosos da Grã Bretanha, ou do King Abdullah Bin Abdulaziz International Centre for Interreligious and Intercultural Dialogue (KAICIID), com sede em Viena, passando pelos intelectuais e jornalistas de várias latitudes, até a comovente manifestação por parte das pessoas simples. A condenação é unânime. Os fanáticos manipulam o islã, transgridem o Alcorão e traem a religião que dizem professar. Isso faz lembrar o discurso do professor Ratzinger em Ratisbona.

No dia 12 de setembro de 2006, Joseph Ratzinger, atualmente Papa Emérito Bento XVI, visitou a Universidade de Ratisbona, onde havia sido professor. Ali pronunciou um memorável discurso que hoje ressoa com força. Falou da vocação natural das religiões à justiça e à paz, cuja realização depende da articulação correta entre a fé e a razão, um dos grandes tópicos da sua Teologia e do seu Magistério. Explicou que, quando falta o diálogo, apresentam-se as patologias da razão e da religião que fazem escorregar, ao extremo, rumo ao fanatismo. Diante do despertar da irracionalidade misturada ao fundamentalismo, lançou um desafio aos muçulmanos para condenar a violência como meio de impor a fé, sem aliviar também para os cristãos.

O Papa Emérito Bento XVI tinha colocado o dedo na ferida. Três lições devem ser lembradas. Por um lado, o mundo midiático e intelectual do Ocidente, que se diz expressão da tolerância e da liberdade, lançou-se com violência irracional contra Ratzinger, acusando-o de ser fanático e provocador, quando na verdade tinha convidado ao diálogo na razão. Por outro lado, muçulmanos também lançaram condenações. No fim, todos têm de dar razão a Ratzinger. Tanto um quanto o outro mostraram que sofrem das patologias descritas no discurso de Ratisbona.

A reação mais interessante e decisiva foi a do islã. Um grupo de líderes e intelectuais muçulmanos assinou uma carta na qual eles acolhiam o desafio do diálogo. O epicentro aconteceu no Reino da Jordânia, mas se estendeu rapidamente a várias latitudes. Nessa carta, apesar de algum desacordo com Ratzinger, foram condenados aqueles que pretendiam impor com a violência “sonhos utópicos nos quais o fim justifica os meios”.

É certo dizer que a aula e a carta não deram início ao diálogo entre os cristãos e os muçulmanos, mas sem dúvida foram um fator importante para promovê-lo a níveis nunca vistos antes. Hoje certamente este diálogo está dando frutos não apenas entre certas elites, mas também entre as pessoas comuns, que antes de aparecer estes fanáticos tinham feito a convivência interreligiosa como a maneira natural de ser e hoje protestam porque querem continuar a viver da mesma maneira. Esta é a voz mais forte entre aquelas que podem ser escutadas. O encontro entre o povo simples e a intelectualidade enche de esperança. Quando este relacionamento se alimenta de paciência e constância, gera movimentos culturais potentes.

A memorável aula em Ratisbona teve outras consequências que hoje podemos observar. As palavras de Ratzinger deram maior impulso a uma ideia que nasceu da realidade dos percursos religiosos do século XIX e da primeira metade do século XX, vistos à luz do Evangelho, expressos claramente no Concílio Vaticano II, alimentados pelo Magistério pontifício sucessivo e articulado ao melhor da diplomacia da Santa Sé. Deseja-se fazer da liberdade religiosa uma das pedras angulares do Direito e das relações internacionais. Aqui se encontra o constante esforço da Igreja por favorecer a voz dos líderes e dos movimentos religiosos que buscam a paz mediante a justiça, de modo que se gerem âmbitos de convivência harmoniosa em cada sociedade, iniciativa chamada genericamente de: “o espírito de Assis”. A liberdade religiosa deve se tornar cultura com o apoio das políticas públicas dos vários Estados. Um dos mais importantes promotores desta proposta, para buscar um exemplo significativo, foi o doutor Thomas Farr, que dirige o Religious Freedom Project no Berkeley Center for Religion, Peace and World Affair da 'Universidade de Georgetown. Infelizmente nem os Estados Unidos nem a União Europeia quiseram escutar a aula de Ratisbona, ou a proposta da Igreja, muito menos as excelentes razões articuladas por acadêmicos e diplomatas de vários lugares. Quando as religiões cruzam seus caminhos, o que acontece continuamente, perdem o sentido da realidade, cegas pela própria arrogância. As tentativas de voltar à razão são interpretadas como uma violação impetrata pelo secularismo radical. É um pecado.
O Ocidente laico - políticos, intelectuais e meios de comunicação - desdenhou a proposta e, sem querer, tornou-se cúmplice, por omissão, do fundamentalismo que manipulou o islamismo até criar uma ideologia do extermínio. A sua falta de compreensão é tal que tentou manter o silêncio diante do sacrifício dos cristãos e de outras minorias no Oriente Médio, mas a dura realidade é imposta. Somente ações multilaterais baseadas em uma estratégia que faz da liberdade religiosa e do diálogo interreligioso as próprias pedras angulares poderá trazer paz, justiça e estabilidade no Oriente Médio.

Ratzinger tinha razão para além da aula de Ratisbona. Nas primeiras linhas do seu livro “Introdução ao Cristianismo”, traz as palavras de Kierkegaard sobre o palhaço na aldeia em chamas. Um circo se encontrava na periferia de um vilarejo, e de repente pegou fogo. O patrão ordenou ao palhaço que colocasse a roupa de cena para avisar do perigo eminente. Os habitantes, além de escutá-lo, riam dele tornando em vão o seu esforço. Quando conseguiram reagir era tarde demais. O vilarejo foi consumido pelas chamas. Para o Oriente Médio é mais do que uma simples parábola.

De qualquer forma, Ratzinger estava longe de exortar ao desânimo. A sua Teologia e o Magistério Pontifício foram um ponto de esperança, de alta inteligência. O seu apelo se encontra no realismo e na esperança. A situação atual de quem evangeliza na cultura da indiferença, na verdade, tem pouca coisa de novo. Como Igreja, não compartilhamos o nosso destino com o palhaço, mas com os santos e os profetas que pisaram na terra. Assim diz Jeremias: “A palavra do Senhor tornou-se para mim motivo de vergonha e gozação o dia todo. Eu me dizia: ‘Não pensarei mais nele, não falarei mais no seu nome!’ Era como se houvesse no meu coração um fogo ardente, fechado em meus ossos. Estou cansado de suportar, não aguento mais!”, (Jr 20, 8-9). Este é um “fogo” que Jesus lançou no mundo e que queria tanto ver arder.

A aula de Ratisbona se transformou em uma evocação. O Reino de Deus parece uma semente que, uma vez colocada na terra, cresce dia e noite mesmo se o trabalhador não percebe, até dar frutos abundantes.

[Leia aqui: Aula Magna de Bento XVI na Universidade de Ratisbona]

 

De: aleteia.org 



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11 fevereiro 2014

Bento XVI, humildade e coragem por amor à Igreja



Cidade do Vaticano (RV) – No dia em que se recorda um ano da renúncia de seu antecessor, o Papa Francisco convidou os fiéis a rezar juntos com ele por Sua Santidade Bento XVI, “homem de grande coragem e humildade”. Dias atrás, em carta publicada pelo jornal italiano “La Repubblica” ao teólogo Hans Kung, Joseph Ratzinger se dizia grato pela grande semelhança de visões e pela amizade que o une ao Papa Francisco. O Papa Emérito afirma que seu único e último dever é encorajar o atual Pontificado com a oração.
Um ano após sua renúncia, que surpreendeu o mundo, a atitude de Joseph Ratzinger é hoje vista como um ato de coragem, que abriu a Igreja para uma “primavera”. Já naquele dia, o Cardeal João Braz de Aviz, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, disse esperar para a Igreja o Pontífice melhor para aquele momento. Entrevistado pela RV naquela mesma manhã, ele contou que a sua primeira reação ao ouvir a notícia da renúncia do Papa foi consultar o cardeal que estava ao seu lado para ter certeza de que tinha entendido direito.
“Foi uma surpresa para todos nós porque esta atitude da renúncia não é uma atitude muito comum na Igreja. É um ato de extrema humildade por parte do Papa, de extremo amor à Igreja e que nos colheu muito de surpresa, a gente via na própria sala esta surpresa. Não sabíamos de nada, só da questão do Consistório para os santos e não de sua renúncia. Nesse sentido, foi uma grande surpresa. Da nossa parte, queremos pedir pela Igreja, pedir também pelo novo Conclave e pedir para que o Senhor dê a nós o Pontífice que ele pensou para este momento”.
Já Dom Cláudio Hummes, que havia colaborado diretamente com Bento XVI como Prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, foi surpreendido em São Paulo com a notícia. Em exclusiva ao Programa Brasileiro, em sua chegada a Roma para o Conclave, Dom Cláudio ressaltou a humildade de Joseph Ratzinger, um homem “que não se agarrou ao poder e ao prestígio":
“A grandeza dele está em sua humildade, no despojamento. O Papa e um homem que não se aferra ao poder e ao prestígio, mas como ele mesmo dizia: eu vejo que não tenho mais suficientes forças humanas para continuar neste encargo, então para o bem da Igreja, eu renuncio. Ficou claro que o fez para o bem da Igreja. Talvez seja uma oportunidade para coisas novas acontecerem, para o bem da Igreja”.



De: news.va




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25 setembro 2013

Nunca acobertei casos de pedofilia, diz Bento XVI em uma longa carta escrita a um ateu militante



ROMA, 24 Set. 13 / 08:50 pm (ACI/EWTN Noticias).- O matemático italiano e ateu militante, Piergiorgio Odifreddi, recebeu no último dia 3 de setembro uma carta muito especial. Um envelope selado, com 11 páginas com data de 30 de agosto e assinada por Bento XVI.

No texto, o Bispo Emérito de Roma responde ao livro de Odifreddi "Caro papa, ti scrivo" (Querido Papa, escrevo-te, Mondadori, 2011). Um livro que, como o autor recorda, desde a capa se define como uma "luciferina introdução ao ateísmo".

No artigo no qual Odifreddi comenta as suas impressões ao receber esta carta afirma: "Não foi uma coincidência ter dirigido a minha carta aberta a Ratzinger. Depois de ter lido o seu "Introdução ao Cristianismo", entendi que a fé e a doutrina de Bento XVI, a diferença de outros, eram o suficientemente coerentes e sólidas para poder confrontar perfeitamente e sustentar ataques frontais".

Agressividade e descuido na argumentação

No fragmento da carta que foi publicado no jornal La Repubblica, pode-se ler como Bento XVI reconhece que desfrutou e aproveitou a leitura de algumas partes da carta, mas outras partes se surpreendeu por "uma certa agressividade e descuido na argumentação".

No início da carta, o Bispo Emérito de Roma assinala que "você me dá a entender que a teologia seria ‘fantaciência’". E frente a este argumento apresenta quatro pontos.

Ficção científica na religião... e a matemática

Em primeiro lugar assinala que "é correto afirmar que "ciência" no sentido mais estrito da palavra é somente a matemática, enquanto eu aprendi contigo que seria necessário distinguir ainda entre aritmética e geometria. Em todas as matérias específicas a científica tem a sua própria forma, segundo a particularidade do seu objeto. O essencial é que aplique um método verificável, exclua o arbítrio e garanta a racionalidade nas respectivas modalidades".

Em segundo lugar, Bento XVI sustenta que "você deveria pelos menos reconhecer que, no âmbito histórico e no do pensamento filosófico, a teologia produziu resultados duradouros".

Como terceiro aspecto afirma que "uma função importante da teologia é a de manter a religião unida à razão e a razão à religião. Ambas as funções são de essencial importância para a humanidade".

Recordando a Habermas

Neste ponto recorda que no seu diálogo com Habermas "mostrei que existem patologias da religião e -não menos perigosas- patologias da razão. Ambas necessitam uma da outra, e tê-las continuamente conectadas é uma tarefa importante da teologia".

No último ponto, muito mais longo que os anteriores, Bento expressa que "a "fantaciência" existe, por outro lado, no âmbito de muitas ciências e faz referências às teorias que Odifreddi expõe sobre o início e o fim do mundo em Heisenberg, Schrödinger, etc., que -continua Bento XVI-, "eu o designaria como ‘fantaciência’ no bom sentido: são visões e antecipações, para alcançar um verdadeiro conhecimento, mas são, de fato, somente imaginações com as que procuram aproximar-nos da realidade".

Pouco nível: a pederastia

Depois de desenvolver com mais detalhe estas ideias, Bento XVI se detém no capítulo sobre o sacerdote e a moral católica e nos distintos capítulos sobre Jesus. "No que se refere ao que você diz do abuso moral de menores por parte de sacerdotes, posso -como você sabe- mostrar somente uma profunda consternação. Nunca tentei acobertar estas coisas. O fato de o poder do mal penetrar até este ponto no mundo interior da fé é para nós um sofrimento que, por um lado, devemos suportar, e por outro, nos obriga a fazer todo o possível para que estes casos não se repitam".

"Não é tampouco motivo de tranquilidade saber que, segundo as investigações dos sociólogos, a porcentagem dos sacerdotes culpados destes crimes não é mais alta que em outras categorias profissionais semelhantes. Em qualquer caso, não se deveria apresentar este desvio ostentosamente como se fosse uma sujeira específica do catolicismo. Não é lícito calar o mal na Igreja, mas também não se deve fazer esquecer o grande rasto luminoso de bondade e pureza que a fé cristã deixou ao longo dos séculos".

Por isso, Bento XVI recorda nomes como São Bento de Nursia e sua irmã Escolástica, Francisco e Clara de Assis ou Teresa de Ávila e João da Cruz.

O "Jesus histórico", o do Hengel e Schwemer

Com respeito ao que o matemático diz sobre a figura histórica de Jesus, Bento recomenda ao autor os quatro volumes da obra que Martin Hengel publicou em conjunto com Maria Schwemer, "um exemplo excelente de precisão histórica e de amplíssima informação histórica", assinala Ratzinger.

Assim mesmo, recorda, como já esclareceu no primeiro volume de seu livro sobre Jesus de Nazaré, que "a exegese histórica-crítica é necessária para uma fé que não propõe mitos com imagens históricas, mas reclama uma verdadeira historicidade e por isso deve apresentar a realidade histórica de suas afirmações também de forma científica".

Em vez de Deus, uma natureza sem definir

Continua Bento XVI afirmando que "se você, entretanto, quer substituir Deus pela "Natureza", fica a pergunta, quem ou o que é esta natureza. Em nenhuma parte você a define e aparece, portanto, como uma divindade irracional que não explica nada".

E acrescenta: "Queria, portanto, sobretudo destacar que na Sua religião da matemática três temas fundamentais da existência humana ficam sem serem considerados: a liberdade, o amor e o mal. Qualquer coisa que a neurobiologia diga sobre a liberdade, no drama real da nossa história está presente como realidade determinante e deve ser levada em consideração".

Na última parte publicada da carta de Bento, assinala que a "minha crítica sobre o seu livro é por um lado dura, mas a franqueza faz parte do diálogo; só assim o conhecimento pode crescer".


De: acidigital.com

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21 agosto 2013

"RENUNCIEI PORQUE DEUS ME DISSE", DIZ BENTO XVI



Roma, (Zenit.org) Salvatore Cernuzio

Talvez ele precisasse de respirar um ar diferente daquele dos Jardins do Vaticano, ou, ao terminar o verão, ele quisesse rever a casa onde passou oito verões e apreciar a vista do Lago Albano. O fato é que, ontem à tarde, Bento XVI se permitiu uma curta viagem até Castel Gandolfo, vila que é a residência de verão dos papas desde o papa Urbano VIII, onde passou os primeiros dois meses após a renúncia do ministério petrino.

O papa emérito - de acordo com relatos de fontes do Vaticano - passou cerca de três horas na cidade, caminhou nos jardins do palácio, recitou o rosário e assistiu a um concerto de piano. Retornou à noite para o mosteiro Mater Ecclesiae, no Vaticano, onde decidiu viver "escondido do mundo" após a decisão histórica de 11 de Fevereiro.

Acompanharam Bento XVI na tarde de ontem, seus “anjos da guarda": as memores domini, Loredana, Carmela, Cristina e Manuela, quatro leigas consagradas, domovimento Comunhão e Libertação, que cuidavam do apartamento, da capela e do guarda-roupa de Ratzinger nos anos de seu pontificado, e continuam a ajudá-lo, mesmo agora, após a renúncia.


Papa Franciscoteria"cedido" o lugar ao predecessor, convidando-o para passar o verão, nas colinas Albani, já que ele ficaria em Roma por "compromissos de trabalho". O papa emérito recusou o convite, evitando assim o possível rumor de uma transferência e mantendo o perfil discreto.

Cerca de seis meses após o anúncio que chocou o mundo, a decisão de Ratzinger de viver uma vida oculta ainda suscita reflexões e questionamentos. Alguns tiveram o privilégio de ouvir dos lábios do papa emérito as razões desta escolha. Apesar da vida de clausura, Ratzinger concede, esporadicamente, e apenas em certas ocasiões, algumas visitas muito particulares no Mater Ecclesiae. Durante estes encontros, o ex-pontífice não revela segredos, não faz declarações que podem pesar como "as palavras do outro papa",e mantém a discrição que sempre o caracterizou.



No máximo observa com satisfação as maravilhas que o Espírito Santo está fazendo com o seu sucessor, ou fala sobre si mesmo, de como a escolha de renunciar foi inspiração de Deus.

Assim teria dito Bento XVI a um convidado destes encontros raros que teve agraça de encontrá-lo algumas semanas atrás, em Roma. "Deus me disse", foi a resposta do papa emérito à pergunta sobre por que ele quis renunciar. Ele imediatamente esclareceu que não houve qualquer tipo de atitude por aparência ou algo parecido, mas foi uma"experiência mística", em que o Senhor suscitou em seu coração um “desejo absoluto"de ficar a sós com Ele, recolhido em oração.

A atitude de Bento XVI, portanto, não foiu ma fuga do mundo, mas um refúgio em Deus para viver do Seu amor. Ratzinger disse -revelou a fonte,que prefere permanecer anônima- que esta "experiência mística"perdura por todos esses longos meses, aumentando cada vez mais o desejo de uma relação única e direta com o Senhor. Além disso, o papa emérito revelou que quanto mais observa o carisma de Francisco, mais compreende o quanto essa escolha foi a vontade de Deus.
 





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06 junho 2013

"Eu vivo como um monge. Rezo e leio. Estou bem ", diz Bento XVI em sua entrevista como Emérito

O Papa Emérito Bento XVI afirma que está bem, três meses após a sua renúncia histórica, de acordo com trechos de uma entrevista publicada na quarta-feira em seu site o jornal Bild Zeitung.
"Eu vivo como um monge. Rezo e leio. Estou bem", disse o emérito Papa alemão , 86, na primeira entrevista à imprensa, um jornalista do tablóide alemão, co-autor de um livro sobre a Igreja Católica da Alemanha.
Bento XVI (Joseph Ratzinger), que sucedeu em abril de 2005 o Papa João Paulo II, demitiu-se no dia 28 de Fevereiro passado , por não ter "mais força" para liderar a Igreja Católica, o primeiro de sete séculos.
Papa emérito, que falou em um mosteiro do Vaticano, onde voltou no início de maio, também negou os rumores segundo os quais se alimenta pouco, disse o jornal.
Após sua renúncia, Bento XVI, e depois de alguns meses na residência de verão de Castel Gandolfo, perto de Roma, foi instalado no início de Maio no Mosteiro "Mater Ecclesiae" do Vaticano.
Este mosteiro, que foi restaurado e situado na colina do Vaticano, está há algumas centenas de metros de onde o seu sucessor, o Papa Francisco, que o acolheu em sua chegada.
O Vaticano havia informado seu retorno afirmando que Bento queria estar "a serviço da Igreja, sobretudo por meio da oração."
Papa Bento e Francisco, que convivem pela primeira vez na história no menor estado do mundo, com uma área de 44 hectares, em seguida, oraram juntos, brevemente, na capela do mosteiro.

De: religionenlibertad.com 

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28 fevereiro 2013

Depois da última audiência cardeais e bispos destacam "testamento espiritual" de Bento XVI



ROMA, 27 Fev. 13 / 02:46 pm (ACI/Europa Press).- Cardeais e bispos espanhóis, presentes na Praça de São Pedro para assistir à última audiência geral de Bento XVI antes de renunciar ao seu Pontificado nesta quinta-feira às 20.00 horas, manifestaram o "testamento espiritual" que deixa o Pontífice.
"As palavras do Papa na audiência de hoje foram uma maravilha. Demonstram a densidade do seu amor à Igreja, e uma profunda humildade", declarou o cardeal espanhol Julián Herranz, antigo presidente do Comitê de Textos Legislativos e ao que Bento XVI pôs à frente da comissão cardenalícia que investigou a filtração de documentos do Vaticano conhecida como 'caso Vatileaks'. O cardeal foi um dos quase setenta cardeais presentes na praça.
O secretário da Conferência Episcopal Espanhola, Dom Juan Antonio Martinez Camino, por sua parte, quis destacar o aspecto magisterial do Papa. "Suas palavras de hoje –declarou a Europa Press– foram emocionantes e, de novo, deixa-nos sua grande catequese. Deixou-nos hoje um ensinamento magisterial sobre a Igreja. Como sempre explicou, deixou claro que a Igreja não é dele, mas sim do Senhor, e que é Ele quem guia a sua Igreja". Enquanto, o Arcebispo de Madri, Cardeal Antonio María Rouco Varela, negou-se a fazer qualquer declaração.
Também esteve presente o Arcebispo de Barcelona, Cardeal Luis Martinez Sistach. "Do Pontificado de Bento XVI fico com tudo –manifestou a Europa Press–. Mas especialmente levamos no coração a consagração da basílica da Sagrada Família em Barcelona. E me consta que ele também o leva em seu coração, e continuará levando".
"Agora trabalharemos, aplicando nosso entendimento para encontrar um novo Papa. Mas contamos, e necessitamos, da ajuda do Espírito Santo e das orações de toda a Igreja", acrescentou.
Por sua parte, o Arcebispo do Santiago de Compostela, Dom Julián Barrio, também presente nesta manhã em São Pedro, assinalou, com emoção em sua voz: "toda despedida entranha certa tristeza. Mas temos a alegria de ter encontrado aqui milhares de pessoas, para ter ocasião de agradecer ao Papa pelo que fez nestes oito anos a serviço da Igreja e da sociedade".
Por outro lado, o Cardeal Jaime Ortega y Alamino, Arcebispo de Havana (Cuba) ao final da cerimônia, manifestou: "o que podemos dizer do que ouvimos? Que é um testamento espiritual muito belo e dirigido a cada cristão".

 De: acidigital.com

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27 fevereiro 2013

"Amar a Igreja significa ter a coragem de fazer opções difíceis" - Bento XVI



“Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer opções difíceis, árduas, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não nós mesmos” – recordou Bento XVI, na serena e ao mesmo tempo vibrante alocução que constituiu a última palavra pública do seu pontificado.

Na véspera de deixar o ministério petrino (amanhã, quinta-feira, 28 de fevereiro, às 20 horas), o Papa quis, antes de mais, “dar graças de todo o coração a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra, alimentando assim a fé no seu Povo”.

Bento XVI alargou o seu olhar a toda a Igreja e a todo o mundo, assegurando levar a todos no coração, na oração, confiando tudo e todos ao Senhor. E declarou viver este momento com “grande confiança”, na certeza de que “a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida”. “É esta a minha confiança, a minha alegria”.

Foi neste contexto que Bento XVI evocou o dia 19 de abril de 2005, quando assumiu o ministério de Pedro. Ouçamos as palavras com que, mais adiante nesta audiência, o Papa resumiu em português o essencial desta sua alocução:

Queridos irmãos e irmãs,

No dia dezanove de Abril de dois mil e cinco, quando abracei o ministério petrino, disse ao Senhor: «É um peso grande que colocais aos meus ombros! Mas, se mo pedis, confiado na vossa palavra, lançarei as redes, seguro de que me guiareis». E, nestes quase oito anos, sempre senti que, na barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas do Senhor. Entretanto não é só a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na condução da barca de Pedro, embora lhe caiba a primeira responsabilidade; e o Senhor colocou ao meu lado muitas pessoas que me ajudaram e sustentaram. Porém, sentindo que as minhas forças tinham diminuído, pedi a Deus com insistência que me iluminasse com a sua luz para tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito.

Na alocução mais desenvolvida, em italiano, Bento XVI convidou todos a renovarem a sua firme confiança no Senhor, a confiarem-se “como crianças nos braços de Deus (disse), na “Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer opções difíceis, árduas, tendo sempre em vista o bem da Igreja e não nós mesmos” – recordou Bento XVI, na serena e ao mesmo tempo vibrante alocução que constituiu a última palavra pública do seu pontificado.
Na véspera de deixar o ministério petrino (amanhã, quinta-feira, 28 de fevereiro, às 20 horas), o Papa quis, antes de mais, “dar graças de todo o coração a Deus, que guia e faz crescer a Igreja, que semeia a sua Palavra, alimentando assim a fé no seu Povo”.
Bento XVI alargou o seu olhar a toda a Igreja e a todo o mundo, assegurando levar a todos no coração, na oração, confiando tudo e todos ao Senhor. E declarou viver este momento com “grande confiança”, na certeza de que “a Palavra de verdade do Evangelho é a força da Igreja, é a sua vida”. “É esta a minha confiança, a minha alegria”.
Foi neste contexto que Bento XVI evocou o dia 19 de abril de 2005, quando assumiu o ministério de Pedro. Ouçamos as palavras com que, mais adiante nesta audiência, o Papa resumiu em português o essencial desta sua alocução:
Queridos irmãos e irmãs,
No dia dezanove de Abril de dois mil e cinco, quando abracei o ministério petrino, disse ao Senhor: «É um peso grande que colocais aos meus ombros! Mas, se mo pedis, confiado na vossa palavra, lançarei as redes, seguro de que me guiareis». E, nestes quase oito anos, sempre senti que, na barca, está o Senhor; e sempre soube que a barca da Igreja não é minha, não é nossa, mas do Senhor. Entretanto não é só a Deus que quero agradecer neste momento. Um Papa não está sozinho na condução da barca de Pedro, embora lhe caiba a primeira responsabilidade; e o Senhor colocou ao meu lado muitas pessoas que me ajudaram e sustentaram. Porém, sentindo que as minhas forças tinham diminuído, pedi a Deus com insistência que me iluminasse com a sua luz para tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja. Dei este passo com plena consciência da sua gravidade e inovação, mas com uma profunda serenidade de espírito.

Na alocução mais desenvolvida, em italiano, Bento XVI convidou todos a renovarem a sua firme confiança no Senhor, a confiarem-se “como crianças nos braços de Deus (disse), na certeza de que esses braços sempre nos sustentam, permitindo-nos caminhar dia após dia, apesar da fadiga”.
“Agradeçamos ao Senhor por cada um dos nossos dias, com a oração e com uma vida cristã coerente. Deus ama-nos, mas espera também que nós o amemos!”
Mas não foi só a Deus que Bento XVI quis agradecer neste momento especial da sua vida e antes da conclusão do seu pontificado. Na verdade – recordou – “um Papa nunca está sozinho na condução da barca de Pedro, embora lhe toque a primeira responsabilidade”.
“Nunca me senti sozinho na (responsabilidade) de levar a alegria e o peso do ministério petrino. O Senhor pôs ao meu lado muitas pessoas que, com generosidade e amor a Deus e à Igreja, me ajudaram com a sua proximidade”.
E aqui o Papa mencionou expressamente: os cardeais, cuja “sageza, conselhos e amizade foram preciosos”, prosseguindo com os colaboradores mais diretos, desde o Secretário de Estado mas incluindo todos os que estão ao serviço da Santa Sé, muitos deles “na sombra, no silêncio e na dedicação quotidiana, com espírito de fé e de humildade”, “um apoio seguro e fiável”. Uma palavra de gratidão também ao Corpo Diplomático, representantes das Nações, e a “todos os que trabalham para uma boa comunicação”, um “importante serviço”. Menção de especial e afetuosa gratidão à “sua” diocese de Roma, a todos os irmãos no episcopado e no presbiterado, todos e todas as consagradas, e todo o Povo de Deus…
“nas visitas pastorais, nos encontros, nas audiências, nas viagens, sempre adverti grande atenção e profundo afeto; mas também eu quis bem a todos e a cada um, sem distinções, com aquela caridade pastoral que é o coração de cada Pastor, sobretudo do Bispo de Roma, do Sucessor do Apóstolo Pedro. Cada dia levei na oração cada um de vós , com coração de pai”.
Bento XVI agradeceu também de todo o coração as numerosas pessoas de todo o mundo que nas últimas semanas lhe enviaram – disse – “comoventes sinais de atenção, amizade e oração”.
“Sim, o Papa nunca está só, experimento-o agora uma vez mais, de um modo tão grande que toca o coração. O Papa pertence a todos e tantíssimas pessoas sentem-se muito perto dele”.
Não foram só os “grandes do mundo” (chefes de Estado, chefes religiosos, representantes do mundo da cultura…) a escrever – esclareceu Bento XVI. Chegaram-lhe “também muitas cartas de pessoas simples”, que exprimem o que o coração lhes dita mostrando “todo o seu afeto, que nasce do estar conjuntamente com Cristo Jesus, na Igreja”…
“Escrevem como irmãos e irmãs ou como filhos e filhas, com o sentido de um elo familiar muito afetuoso. Aqui se pode tocar com a mão o que é a Igreja – não uma organização, não uma associação com fins religiosos ou humanitários, mas um corpo vivo, uma comunhão de irmãos e irmãs no Corpo de Jesus Cristo, que nos une a todos. Experimentar a Igreja neste modo e poder assim com que poder tocar com as mãos a força da sua verdade e do seu amor, é motivo de alegria, num tento em que tantos falam do seu declínio”.
“Nestes últimos meses senti que as minhas forças tinham diminuído (confessou Bento XVI),, e pedi a Deus com insistência, na oração, que me iluminasse com a sua luz para me fazer tomar a decisão mais justa, não para o meu bem, mas para o bem da Igreja”.
“Dei este passo na plena consciência da sua gravidade e também novidade, mas com uma profunda serenidade de espírito. Amar a Igreja significa também ter a coragem de fazer escolhas difíceis, dolorosas, tendo sempre presente o bem da Igreja, e não nós próprios”.
Na parte final da sua alocução, Bento XVI voltou uma vez mais com o espírito ao início do seu pontificado, há oito anos atrás, ao dia 19 de abril de 2005, para sublinhar que com a sua renúncia não regressa a uma vida “privada”. “A gravidade da decisão (de assumir o ministério petrino) – observou ainda o Papa – estava precisamente também no facto de que a partir daquele momento ficava empenhado sempre e para sempre com o Senhor”.
“Sempre – quem assume o ministério petrino já não tem qualquer privacidade. Pertence sempre a totalmente a todos, a toda a Igreja. A sua vida vem, por assim dizer, totalmente retirada a dimensão privada. Pude experimentar, e experimento-o agora, que uma pessoa recebe a vida precisamente quando a dá”.
“O sempre – insistiu Bento XVI – é também um para sempre – não é um regresso ao privado. A minha decisão de renunciar ao exercício ativo do ministério, não revoga isto”.
“Não regresso à vida privada, a uma vida de viagens, encontros, recepções, conferências, etc. Não abandono a cruz, mas permaneço de modo novo junto do Senhor Crucificado”.
Embora “já sem o poder de ofício para o governo da Igreja”, Bento XVI declarou permanecer “no serviço da oração”, ficando “por assim dizer, no recinto de São Pedro”. E invocou o grande exemplo de São Bento, neste ponto. São Bento “mostrou a via para uma vida, que, ativa ou passiva, pertence totalmente à obra de Deus”.
E Bento XVI concluiu convidando todos a viver o caminho da Igreja numa atitude fé:
“Caros amigos! Deus guia a sua Igreja, sustenta-a sempre também e sobretudo nos momentos difíceis. Nunca percamos de vista esta visão de fé, que é a única verdadeira visão do caminho da Igreja e do mundo. No nosso coração, no coração de cada um de vós, haja sempre a jubilosa certeza de que o Senhor está ao nosso lado, não nos abandona, está perto de nós envolvendo-nos com o seu amor. Obrigado!"
Antes das palavras pronunciadas pelo Papa em português, Bento XVI foi saudado na nossa língua, por Mons. Ferreira da Costa…
Não faltou como sempre a saudação aos peregrinos lusófonos:
Amados peregrinos de língua portuguesa, agradeço-vos o respeito e a compreensão com que acolhestes a minha decisão. Continuarei a acompanhar o caminho da Igreja, na oração e na reflexão, com a mesma dedicação ao Senhor e à sua Esposa que vivi até agora e quero viver sempre. Peço que vos recordeis de mim diante de Deus e sobretudo que rezeis pelos Cardeais chamados a escolher o novo Sucessor do Apóstolo Pedro. Confio-vos ao Senhor, e a todos concedo a Bênção Apostólica.

De: news.va

25 fevereiro 2013

Bento XVI agradece contemplativos/as

O Cardeal Bertone, Secretário de Estado, escreveu a todos os mosteiros, masculinos e femininos, de monges contemplativos. Eis o texto integral:
Vaticano, 21 de fevereiro de 2013
Reverenda Madre, Reverendo Padre,
Dirijo-vos esta mensagem, enquanto a Igreja inteira acompanha com trepidação os últimos dias do luminoso pontificado de Sua Santidade Bento XVI e espera a vinda do Sucessor que os Eminentíssimos Cardeais reunidos em Conclave, guiados pela ação do Espírito Santo, escolherão, depois de terem, juntos, perscrutado os sinais dos tempos da Igreja e do mundo.
O apelo à oração dirigido a todos os fiéis por Sua Santidade Bento XVI, pedindo que O acompanhem no momento da entrega do ministério petrino nas mãos do Senhor e que esperem, confiantes, a vinda do novo Pontífice, faz-se particularmente premente para aqueles membros eleitos da Igreja que são os contemplativos. Sua Santidade Bento XVI tem a certeza de que é de vós, dos vossos Mosteiros – femininos e masculinos – espalhados pelo mundo inteiro, que se pode receber aquele recurso precioso da fé orante que, ao longo dos séculos, acompanha e sustenta o caminho da Igreja. O próximo Conclave poderá, assim, assentar de modo especial sobre a cândida pureza da vossa oração e do vosso louvor.O exemplo mais significativo desta elevação espiritual, que manifesta a dimensão mais verdadeira e profunda de todo o ato eclesial, a do Espírito Santo que guia a Igreja, é-nos oferecido por Sua Santidade Bento XVI que, depois de ter governado a Barca de Pedro por entre os vagalhões da história, escolheu dedicar-se sobretudo à oração, à contemplação do Altíssimo e à reflexão.
O Santo Padre, a quem comuniquei os sentimentos exarados nesta carta, deu a sua aprovação pedindo-me para vos agradecer e atestar o grande amor e consideração que Ele nutre a vosso respeito.Com estima cristã, vos saúdo unindo-me à vossa oração.
Tarcisio Card. Bertone - Secretário de Estado de Sua Santidade


De: news.va 

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22 fevereiro 2013

Obrigado Bento XVI

Jovens de todo o mundo agradecem ao Papa Bento XVI, dentre outras coisas, por sua dedicação e humildade.


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21 fevereiro 2013

Não somos nós a possuir a verdade. É Cristo, a Verdade, a possuir-nos


"A Igreja do amor é também a Igreja da verdade": desde o início do seu pontificado, Bento XVI pôs em relevo a centralidade do testemunho da verdade evangélica. Um desafio que, na verdade, poderíamos dizer que está no "DNA" do cristão Joseph Ratzinger que, em 1977, para o seu lema episcopal, escolheu a fórmula “Cooperatores Veritatis", ("Colaboradores da Verdade"), extraída de uma passagem da terceira Carta de São João.
"Quantos ventos de doutrina conhecemos nestas últimas décadas, quantas correntes ideológicas, quantas modas de pensamento!" Nós, contudo, "temos uma outra medida: o Filho de Deus", que "nos dá o critério para discernir entre o verdadeiro e o falso, entre engano e verdade". Quando Joseph Ratzinger pronuncia estas palavras a 18 de Abril de 2005, ainda é "apenas" o decano do Colégio Cardinalício. Mas, neste momento, é fácil ver que naquela homilia sobre a "ditadura do relativismo" o futuro Pontífice indicava já à Igreja um dos desafios mais urgentes dos nossos tempos. No fundo e sempre: testemunhar a verdade. Mas o que é a verdade, ou melhor, quem é a verdade para Bento XVI, e - podemos possuí-la?
"É claro que não somos nós que possuímos a verdade, mas é ela a possuir-nos: Cristo que é a verdade, pegou-nos pela mão, e no caminho da nossa busca apaixonada de conhecimento sabemos que a sua mão nos segura firmemente. Ser sustentados pela mão de Cristo torna-nos livres e seguros ao mesmo tempo". (Discurso à Cúria Romana, 21 de Dezembro de 2012) Portanto, a verdade é uma Pessoa, Jesus Cristo. Por outro lado, observa Bento XVI na sua primeira Encíclica “Deus caritas est”, no início do Cristianismo "não está uma decisão ética ou uma grande ideia", mas sim, precisamente "o encontro" com esta Pessoa. Quanto mais autêntico for este encontro, adverte o Papa, tanto mais somos chamados a aceitar sacrifícios e perseguições: "Quem participa na missão de Cristo deve inevitavelmente enfrentar tribulações, contrastes e sofrimentos, porque entra em conflito com as resistências e os poderes deste mundo". (Audiência para as Pontifícias Obras Missionárias, 21 de Maio de 2010)
Mas a verdade, não se cansa de afirmar Bento XVI, não está separada da caridade. Ao mesmo tempo, explica na Caritas in veritate, "sem verdade, a caridade degenera no sentimentalismo. O amor torna-se um invólucro vazio, a preencher arbitrariamente”. E’, adverte, "o risco fatal do amor numa cultura sem verdade". Eis, então, que a fé, bem longe de ser um obstáculo, se torna a luz que ilumina o caminho para a verdade:
"Diante de tal atitude que tende a substituir a verdade com o consenso, frágil e facilmente manipulável, a fé cristã oferece, pelo contrário, uma contribuição real também no âmbito ético-filosófico, não fornecendo soluções pré-constituídas para problemas concretos, como a investigação e experimentação biomédica, mas propondo perspectivas morais fiáveis dentro das quais a razão humana pode investigar e encontrar soluções válidas.” (Audiência à Congregação para a Doutrina da Fé, 15 de Janeiro de 2010).
  

De: news.va


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