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03 fevereiro 2015

Os 3 conselhos do professor Budziszewski para que um jovem se mantenha cristão na universidade


 

Hoje é um ambiente hostil à fé e à vida cristã

O cristianismo pode ser a resposta que os jovens estão buscando para reorientar sua existência.


Os jovens universitários encontram as vezes dificuldades para viver de acordo com suas crenças religiosas porque tanto dentro como fora das aulas se ridiculariza ou se ataca à religião e estão vigentes valores contrários à moral cristã.

J. Budziszewski, professor de Filosofia Política na Universidade do Texas e autor de ensaios como Lo que não podemos ignorar, oferece orientação e conselho a esses jovens em seu último livro intitulado How to Stay Christian in College, cujo conteúdo explica em uma recente entrevista para Salvo.

O autor perdeu a fé nos anos 60
Budziszewski sabe por própria experiência a dificuldade que supõe o ambiente universitário para as crenças religiosas dos alunos. Ele mesmo reconhece que perdeu a fé devido ao influxo que teve o radicalismo ideológico na universidade durante os anos sesenta.

[Em sua infância e adolescência era um batista sincero, ainda que não especialmente virtuoso. Estudando na universidade deixou "primeiro a Cristo, logo a Deus, logo a distinção entre o bem e o mal", explicou em uma entrevista em inglês. "Eu era ateu pratico e nihilista prático". Já como professor, voltou a Cristo através do anglicanismo e em 2004 entrou na Igreja Católica. Nota de ReL].

Na atualidade, a fé fraqueja sobretudo a causa da cultura antirreligiosa que predomina não discurso acadêmico e o hedonismo da vida social dentro do campus.

Nem o rechaço teórico nem o prático da religião se produzem de forma autônoma ou separada, explica em How to Stay Christian in College.

No primeiro caso, o prejuízo ateu ou agnóstico do professorado semeia nos alunos a dúvida e a indiferença. Deus simplesmente deixa de ser um assunto importante.

A tempo, a permissividade pode nublar as convicções morais e provocar a perda da fé.

Os três conselhos
Para evitar ser arrastado pelo ambiente, Budziszewski crê que o mais importante é que o estudante evite o isolamento ou o individualismo religioso. É necessário que os jovens crentes se sintam apoiados por uma comunidade. Nesta direção vão os três conselhos que oferece.

1) Primeiro, contar com um grupo de apoio que integre a professores e a alunos cristãos e que viram sua fé não só desde uma perspectiva moral, mas também comprometidos intelectual e culturalmente.

2) Em segundo lugar, recomenda buscar um professor que possa orientar e guiar durante o período de formação universitária.

3) Por último, Budziszewski aconselha não limitar a vida religiosa à universidade, mas frequentar outros ambientes cristãos fora do campus.


Viver a fé é dar testemunho

Detectar as dificuldades como faz Budziszewski não implica sucumbir ao alarmismo nem promover uma mensagem derrotista, já que o autor confirma que, apesar do desprezo intelectual das crenças religiosas e inclusive a burla ou a marginalização que podem padecer, muitos jovens – cada vez mais– mostram sua valentia vivendo e dando testemunho de sua fé na universidade. Harvard e Princeton são alguns dos lugares nos quais as associações e grupos cristãos estão se proliferando.

Ademais, há sintomas que constatam o esgotamento da forma de vida promovida pela revolução sexual. Em outro de seus livros, On the Meaning of Sex, o autor critica a visão hedonista de a sexualidade porque mutila seu significado e trivializa a relação de casais.

Contudo, o paradoxo desta opção ética são suas consequências: a busca indiscriminada do prazer, sem pensar se é correta ou não, provoca infelicidade. O hedonismo, que nasce como sonho, termina em pesadelo.

De fato, as novas gerações, herdeiras desta visão moral, estão pagando as consequências porque comprovam que o prazer a curto prazo e a frivolidade não dão sentido à vida. Budziszewski vê os jovens de hoje angustiados e descontentes e percebe que cada vez se produz antes a tomada de consciência do paradoxo hedonista. Mas este desespero se encontra acompanhado de uma genuína ânsia de encontrar estilos de vida alternativos. O cristianismo pode ser a resposta que os jovens estão buscando para reorientar sua existência.

Universidade: verdade ou relativismo?
A universidade mesma, nascida sob inspiração religiosa, a causa de a marginalização acadêmica da cultura cristã, perde capacidade para servir a seus próprios fins. À perda de Deus nas aulas universitárias segue-se o esquecimento da noção objetiva da verdade e a generalização do relativismo. Resulta paradoxo que uma instituição dedicada à busca da verdade e do conhecimento esteja caracterizando-se por sua intolerância ideológica e sectarismo. Para Budziszewski, também o jovem crente tem como missão recordar à universidade quais são seus fins mais importantes.



De: http://www.religionenlibertad.com/los-3-consejos-del-profesor-budziszewski-para-que-un-joven-se-40296.htm
 


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10 setembro 2014

Professo a fé, mas minha namorada não


 
Minha namorada não crê, mas está disposta a me seguir na fé. Quero casar com ela na Igreja
 

Questão

Padre,

Gostaria de lhe pedir um conselho. Convivo há mais de três anos com minha namorada. Eu professo a fé, mas ela não. Antes de me mudar para a cidade onde nos conhecemos, eu era católico praticante. Gostaria de casar com ela na Igreja, porque mesmo com minhas inconstâncias, eu creio. Gostaria que nossos filhos fossem batizados. Ela não, o batismo para ela é um “não” absoluto, ela quer na verdade que eles decidam quando forem grandes. Ela é uma pessoa maravilhosa, compartilhamos dos mesmos valores, com excessão da fé. Ela não crê, mas tem muitas ideias cristãs. Vem de uma família cristã um pouco sofrida e para ela a palavra “família” soa como algo feio, um lugar escuro onde se escondem “monstros” (assim me disse uma vez).

Conversamos com um sacerdote que nos aconselhou ler a Bíblia, mas não entendemos nada além do sentido literal. Não vamos mais à missa porque ela se cansa, acha chato, e diz que a Igreja fala “bobeiras”, deixando uma função secundária para as mulheres e no modo como são considerados os animais. Além do que o curso de preparação para o matrimônio não nos enriqueceu.

Perguntamo-nos: mas o Catecismo não é o Evangelho, o Catecismo é uma interpretação humana, ou seja, poderia ser interpretado de outra maneira? Como minha namorada é uma pessoa de mente muito aberta, está até disposta a me seguir no caminho de fé e ver o que acontece. Eu, porém, não sei o que fazer.

Resposta do sacerdote

Caro,

1. A fé é o valor fundamental que ilumina todos os outros valores e os torna preciosos. Você me disse que ela “compartilha de todos os principais valores, exceto a fé”: sim, existe compartilhamento nos valores, mas até a metade. Porque o sentido de tudo é dado pela fé.

2. É certo que ela sofreu muito e por isso tenho um respeito ainda maior por ela. Mas não posso aceitar a grave afirmação como o julgamento dado sobre a família, que seria o “um lugar escuro onde se escondem ‘monstros’”. Talvez na família dela tenha sido assim. Mas as famílias normais e comuns, aquelas das quais somos provenientes, não são assim.

3. Você me diz que é um crente não muito constante, enquanto ela não tem nenhuma dúvida. Me disse também que vocês não vão mais à missa porque ela fica entediada e diz que a Igreja fala “bobeiras”. Como se alimenta a fé se não a nutre, não reza, não escuta a Palavra de Deus? Como um corpo se torna são e permanece vivo se não respira, não se nutre, não se move? É a mesma coisa para a fé, sobretudo para aquela fé que não está satisfeita em saber que Deus existe, porque isto até os demônios sabem, é a fé que salva porque é comunhão de vida com o Senhor.

4. Como sua namorada faz para ter comunhão com o Senhor, para ter uma fé viva, se não se deixa tirar os pecados da consciência, aqueles pecados que, se fato, - mesmo se não pensamos neles - separam-nos de Deus. O pecado é a separação de Deus. Para poder encontrar Deus é necessário fazer um caminho diferente daquele do pecado. Para isso é preciso, antes de tudo, deixar de seguir um percurso (os pecados, pelo menos aqueles graves), que não somente separa, mas distancia sempre mais de Deus.

5. Você me disse que ela fica entediada na missa. Como lembra a Sagrada Escritura, a carne tem desejos contrários aos do Espírito. Os pecados carnais nos tornam insensíveis à prática religiosa e isso antes de tantas outras graves razões, porque antes de tudo marca uma separação de Deus. João Paulo II, quando mencionava a contracepção conjugal, falava do ateísmo prático. No caso de vocês, trata-se de contracepção conjugal, mas também de convivência pré-matrimonial. Isso, de fato, é viver separados de Deus, até mesmo caminhar separados de Deus. Para poder encontrá-Lo, vocês precisam fazer um caminho contrário, a partir da castidade.

6. “A missa é tediosa”. Para mim, ir à Missa, celebrar a Missa, não é ir cumprir um rito chato, porque é um encontro, uma comunhão, a mais profunda, a mais vital, a mais essencial da minha vida. Mas é algo difícil de explicar, como é difícil explicar qual o sabor do mel. Compreendemos logo que o gosto do mel, assim que o colocamos na boca. Digo isso para explicar que não é somente entrando numa Igreja e assistindo a uma Missa que podemos dizer que sabemos o que, de fato, ela seja. Como sabe, o sacerdote ao início da celebração diz: “irmãos, para celebrar dignamente esse mistério, confessemos os nossos pecados”. “Mistério”: esta palavra significa “realidade escondida”. Na Missa se celebram e se vivem realidades escondidas que são sagradas, santas. Mas se uma pessoa não sabe quais são estas realidades escondidas, assistirá simplesmente ao rito que acontece, que realmente pode ser chato. Por isso a Missa pede silêncio, preparação, recolhimento e sobretudo uma alma pura, porque “a Sabedoria não entrará na alma perversa, nem habitará no corpo sujeito ao pecado” (Sab 1,4).

7. Você me disse que o Catecismo não é o Evangelho. Sim, materialmente não é o Evangelho, mas saiba, aprofunda-o com a pureza da doutrina.

Desta pureza pode estar certo, porque é garantia do próprio Cristo: “Feliz és, Simão, filho de Jonas, porque não foi a carne nem o sangue que te revelou isto, mas meu Pai que está nos céus. E eu te declaro: tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja; as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos céus: tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligares na terra será desligado nos céus”, (Mt 16, 17-19).

Quem quis a Igreja foi Cristo, a esta deu a missão de ensinar, garantiu a sua assistência, deu a tarefa de santificar, perdoar os pecados, pastorear suas ovelhas e guiá-las para a salvação, levando-as ao céu. Para a Igreja garantiu a sua presença: “Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo”, (Mt 28,19-20). Como você pode ver, sua namorada está distante da lógica do Evangelho.

8. Você me disse que sua namorada quer segui-lo no caminho da fé.

A primeira coisa que lhe aconselho fazer é viver o namoro de maneira verdadeira, ou seja, dissolver a convivência, ou pelo menos viver na castidade. A convivência é, por si só, uma ficção: vive-se como marido e mulher, sabendo que não o é, tendo também dúvidas (como certamente você teve). Tente viver a castidade. Se você se esforça a viver castamente, pode se confessar, depois receber o perdão dos pecados e comungar. Leve o Senhor para dentro da sua vida, rezando. Não com qualquer oração, mas estando em comunhão com o Senhor. Um bom método é o do Santo Terço. Tente recitá-lo todos os dias. Para a sua namorada, que se diz disposta a acompanhá-lo neste caminho de fé, proponho a confissão, pois não se confessa há muitos anos. Os pecados pesam, e sobretudo separam de Deus. Peça à sua namorada que reze com você. Diga que a quer como sua esposa para que se torne mãe dos seus filhos, sabendo educá-los e conduzi-los à vida eterna.

Não vou além porque já me alonguei demais. Mas uma coisa gostaria de acrescentar: reze muito. Somente rezando muito você consegue levar Deus, a Sua luz e a Sua ajuda para dentro da sua vida. Assim você estará seguro, é disso que precisa.

Rezo por você
Padre Angelo 


De: aleteia.org


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07 agosto 2014

Sou dependente químico, mas também chamado à santidade


Testemunho pessoal sobre a dependência das drogas e a vivência da fé


Um conhecido meu de vários anos entrou em contato comigo e me pediu para contar algo muito pessoal da sua vida. É por isso que o relato é publicado sem nome, mas com muita sinceridade. Muito obrigado pelo testemunho.

Anônimo:

Quero compartilhar brevemente o relato do meu passado com as drogas, minha recuperação e também como a minha prática religiosa se encaixa no meio dessa história.

Sou um jovem de uma cidade do interior da Argentina. Comecei a consumir álcool e outras drogas durante minha adolescência. No começo, elas me deram algo que sempre havia me “faltado”: confiança e coragem para me relacionar com as pessoas, especialmente com as mulheres.

Pouco a pouco, no entanto, e à medida em que ia consumindo uma maior quantidade e variedade de drogas, fui me tornando uma pessoa isolada e solitária. Tudo se desmoronava: meus estudos, meu emprego, meus vínculos familiares, minhas amizades e meu namoro. No final, só as drogas me interessavam.

Às vezes eu me lembrava de Deus. Não recebi formação religiosa quando era criança, salvo o exemplo de algumas tias e das minhas avós. Mas estava estudando em uma universidade católica e as aulas de teologia me levavam a questionar-me. No meu desespero, pedi a Deus que me mostrasse o caminho para melhorar.

Decidi procurar uma paróquia. Comecei um catecumenato, que me preparou para receber a Primeira Comunhão e a Confirmação. No entanto, mesmo achando que a prática religiosa seria suficiente para sair das drogas, eu não conseguia parar totalmente e tinha recaídas frequentes.

Foi então que uma pessoa me recomendou um grupo dos 12 passos. Assim, cheguei aos Narcóticos Anônimos (NA) em março de 2006, enquanto morava em Buenos Aires.

A primeira reunião da qual participei funcionava em uma paróquia. Mas vi que a prática religiosa não era um requisito para participar dessas reuniões; então, havia pessoas de outras religiões ou que não praticavam nenhum tipo de culto. Entendi que havia pessoas que passaram pela mesma experiência que eu e que, com sua experiência, podiam me ajudar como ninguém mais poderia. Era uma linguagem da identificação.

Compreendi também que a dependência química é uma doença e que preciso tratá-la de maneira especial. Já não uso drogas há muitos anos, e isso inclui o álcool. Participo das reuniões dos NA em paróquias, sinagogas, templos evangélicos, sociedades de incentivo e hospitais. É um programa espiritual, não religioso.

Hoje, moro novamente em minha cidade de origem. Continuo vivendo minha fé de maneira ativa, indo à Missa, confessando-me e participando de atividades na minha paróquia. E também continuo indo às reuniões dos NA, entendendo que elas me permitem manter minha abstinência cada dia, bem como minha recuperação e a nova forma de vida que encontrei, que é muito melhor que a que tinha antes. Levo uma vida digna e sou um membro produtivo e alegre da sociedade.

Hoje, entendo que, ainda com o meu passado de muitos excessos, também sou chamado a ser santo. Espero que minha experiência possa servir a outros que ainda estão sofrendo. 


De: aleteia.org

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07 julho 2014

A santidade é a verdadeira solução para a homossexualidade - Cristiano Falek



Faz tempo que não escrevo. Tenho pensado bastante sobre diversas coisas na luta contra a atração pelo mesmo sexo (AMS), mas especialmente, nestes últimos dias, tem me inquietado uma questão que, certamente, incomoda alguns de nós que lutamos contra a AMS, senão todos. Qual é o meu objetivo: superar a AMS ou ser santo? Buscar desenvolver atração pelo sexo oposto ou me fazer santo apesar de ter ainda AMS? 

Tenho percebido que temos duas tendências atualmente, no meio cristão, especificamente no meio católico, ao encarar o problema da AMS. A primeira é aquela que quer a todo custo a aceitação da homossexualidade como uma variante normal da sexualidade humana e portanto normatizá-la derrubando e passando por cima da Revelação Divina, inclusive distorcendo-a em nome de uma pretensa felicidade. O segundo é a obsessão calvinista pela superação da AMS, manifesta no meio protestante e herdada, infelizmente por diversos movimentos na Igreja.

O primeiro grupo erra por querer adequar a fé e a moral aos  seus impulsos sexuais, mas sobre esses erros já há quem milite, entretanto, o segundo erra por muitos outros motivos: por fugir do sofrimento, por negar o valor do sofrimento na vida cristã e por pretender que a tendência homossexual seja pecado, todos, como disse, erros herdados da doutrina calvinista; nada de católico há neste parecer.

Mas não é sobre isso que quero falar. O meu propósito, como diz o título, era falar sobre qual é e deve ser o meu objetivo enquanto pessoa que batalha contra a AMS.  

É preciso, primeiramente, ter consciência de que as pessoas que tem AMS são biologicamente normais, o que não é normal é o exercício da homossexualidade, conforme afirma o Doutor Gerard Van den Aardweg, bem como todos os estudiosos que trabalham no NARTH. Ao testemunho dos especialistas se une a voz da Igreja. Ambos estão de acordo em condenar as relações e os atos homossexuais como “intrinsecamente desordenados” (CIC § 2357) e fazer a justa distinção entre tendência e pessoa. Todavia, como afirma Jorge Scala no seu livro ‘Ideologia de gênero: o neototalitarismo e a morte da família’  apesar de não existirem nem pessoas homossexuais, nem heterossexuais (isso é criação dos ideólogos de gênero), mas tão somente homens e mulheres, como Deus  criou , alguns enfrentam o complexo que se denomina atração pelo mesmo sexo, enquanto outros não o enfrentam.

Entretanto, tudo isso dito acima parece ser ignorado por muitos em razão duma busca de  absoluta e imperiosa necessidade de desenvolver atração pelo sexo oposto, como se a única coisa que atestasse uma mudança na vida do individuo fosse fazer com que ele desenvolva atração pelo sexo oposto .

O problema de encararmos a situação dessa forma é “genitalizar” a questão. Tomada a situação dessa forma, o individuo se torna refém da sua genitalidade. Sabiamente o Padre Daniel Ange, no seu livro ‘Homossexual, quem é você? Para onde você vai?’ aborda a questão e enfatiza que a pessoa com AMS deve perceber a amplitude e a beleza do seu ser homem ou mulher, ser humano, criado à imagem e semelhança de Deus, ser esse obra tão perfeita e maravilhosa, que mereceu do salmista o apanágio: “Que é o homem, digo-me então, para pensardes nele? Que são os filhos de Adão, para que vos ocupeis com eles? Entretanto, vós o fizestes quase igual aos anjos, de glória e honra o coroastes” (Sl 8, 5-6).

O teólogo alemão Dietrich von  Hildebrand no seu livro ‘Marriage: the mystery of faithful love’ nos lembra que “homem e  mulher são duas expressões diferentes da humanidade, ambos possuindo seu significado respectivo de acordo com  o plano divino, e seu valor especial muito longe da sua função de procriação”.

Percebemos então que a amplitude  de ser homem ou ser mulher não se restringe a desejar o sexo oposto ou não, mas compreende  viver de modo dialógico com o sexo oposto enquanto ‘outro’, permitindo a si mesmo  a descoberta e o aprofundamento do mistério da masculinidade e/ou da feminilidade que  o leve a compreender que ambos foram criados para se complementarem mutuamente; e também permitindo-se amar e desejar a sua própria identidade, masculina ou feminina, de forma plena e integral , de modo que o homem  perceba-se como tal, viva como tal, aja como tal, e o mesmo para a mulher. Todavia, a vivência de tudo isso não implica necessariamente desenvolver atração pelo sexo oposto.

Mas como ensina a fé católica, o homem não existe apenas em vista da sua genitalidade, ou seja, do exercício da sexualidade por meio do ato sexual.

Desde os anos 1950, quando já se preparava o advento da nefasta revolução sexual que se consolidou nos anos 1960, permeou a sociedade um ideal desatinado de  supervalorização do sexo em detrimento dos valores do espírito. Muitos, infelizmente, transferem para as suas vidas e para a sua luta contra a AMS esse desvio de valor, focalizando as energias exclusivamente (ou prioritariamente) na superação da AMS, na ‘mudança da homo para a heterossexualidade’. Quando olhamos a nossa luta por este viés, caímos naquele triste erro denunciado por Peter Kreeft, no seu livro ‘Como vencer a guerra cultural’ de atribuir ao sexo umstatus de algo absoluto e necessário, como Deus, à vida dos indivíduos no nosso tempo.

Mas, para mim, a fonte de vida não é o sexo, mas Jesus Cristo, que disse de si mesmo: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Dietrich von  Hildebrand no seu livro citado anteriormente afirma: “Certamente, o homem e a mulher têm, no  final das contas, uma única tarefa, ‘renascer em Cristo’, e glorificar a Deus pela sua santidade”. Existe, portanto, um fim  que importa mais para a vida do homem do que fazer uso da sua genitalidade. Santo Inácio de Loyola nos revela qual seja este  fim e como alcançá-lo, dizendo que “o homem é criado para louvar, reverenciar e servir a Deus Nosso Senhor, e assim salvar a sua alma. E as outras coisas sobre a face da terra são criadas para o homem, a fim de ajudá-lo a alcançar o fim para o qual  foi criado. [...] De tal maneira que, de nossa parte, não queiramos mais saúde que doença, riqueza que pobreza, honra que desonra, vida longa que breve, e assim por diante em tudo o mais, desejando e escolhendo apenas o que mais nos conduzir ao fim para que fomos criados”.

Assim, o verdadeiro foco dos que lutam contra a AMS, enquanto cristãos, deve ser, sobretudo, ser um ‘homem novo’ em Cristo e despojar-se do homem velho. Nosso Senhor nos chamou todos a isso desde o inicio da sua vida pública : “Convertei-vos e crede no evangelho” (Mc 1,15).  Essa conversão, a que somos todos chamados, engloba todos os aspectos da nossa vida (e não apenas os problemas com atração pelo mesmo sexo, masturbação, adicção sexual, ou um só aspecto em particular).

Focar-se somente na ‘mudança de homo para hetero’ é para nós cristãos o mesmo que dar as costas Àquele que disse: “Eis que eu faço novas todas as coisas” (Ap 21,5). Sem ser necessário abandonar a esperança na restauração sexual, a luta deve estar focada na transformação de si mesmo em Cristo (ou alter Christus), pois, de outra forma, corremos o risco de cair na idolatria do sexo que Peter Kreeft denuncia.  

Por isso, a Igreja ensina que o homem e a mulher que lutam contra a atração pelo mesmo sexo são chamados a “realizar a vontade de Deus nas suas vidas” (CIC § 2358). A vontade de Deus para todos os homens é a santidade, como testemunham tanto o Antigo quanto o Novo Testamento: “Sede santos, porque eu, o Senhor vosso Deus, sou santo” (Lv 19,2) e “A vontade de Deus é essa: a vossa santificação” (I Tes 4,3).  

Isso seria uma atitude comodista? Certamente que não! Uma vez que a decisão de buscar a santidade for tomada, devemos ter consciência de que se trata de um árduo trabalho. São Paulo mesmo diz aos filipenses: “Trabalhai na vossa salvação com temor e tremor” (Fp 2,12). Portanto, a busca pela santidade é trabalho e trabalho duro.  Na medida em que buscamos a configuração a Cristo, em vida de santidade, em obediência à vontade de Deus devemos confiar absolutamente na Providência, conscientes de que aquele que confia em Deus sabe que  “Ele satisfará os desejos do teu coração” (Sl 36[37],4),  na medida das suas necessidades e em vista da própria salvação.

Isso significa que, se eu buscar a santidade, eu necessariamente superarei a AMS? Pode ser que não. Mas superar a AMS é absolutamente necessário para a nossa santificação? Certamente que não. Conto, pois, um testemunho narrado num livro chamado ‘Peregrinos por el camino de la esperanza’ do Cardeal Van Thuan:

“‘Se convém para a minha salvação’: essa era a restrição que punha um cego em todas as suas orações. Um dia, o levaram ante o sepulcro de São Tomás de Canterbury, para pedir a sua cura. E se produziu o milagre. Após os primeiros minutos de alegria, se lembrou que havia omitido a sua restrição habitual. Voltou-se e repetiu sua oração, acrescentando ‘se a cura convém para a minha salvação’. Subitamente voltou a ficar cego, mas, a partir de então, sua vida se fez ainda mais virtuosa”

Este testemunho me lembra dum caso que eu conheci pessoalmente.  Eu e um rapaz amigo meu lutávamos contra a AMS e nos ajudávamos. Ele, felizmente, desenvolveu atração pelo sexo oposto, não sei bem exatamente como e, depois, conheceu uma moça, namorou e casou-se, mas deixou de buscar a Deus voltando para uma vida de pecado e idolatria, crendo em energias, mantras, etc.

Por isso, devemos ter em mente que quaisquer conquistas alcançadas na busca de atração pelo sexo oposto, adquiridas num individuo cujo coração não está orientado para a santidade, para viver e morrer em Cristo e com Cristo, serão  corrompidas pela concupiscência de uma maneira viciosa – o que contraria totalmente o chamado primordial do cristão que é morrer para o pecado e viver para Deus.

Importa que todos nós confiemos em Deus e nos abandonemos em Suas mãos, como filhos Seus. Ele é um Bom Pai, que conhece nossas necessidades. Ele não nos negará nada do que precisamos, Ele não nos entregará à destruição e tudo nos dará segundo o melhor proveito, em tempo e lugar favoráveis, pois como afirma o apóstolo São Paulo: “Aliás, sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são os eleitos, segundo os seus desígnios” (Rm 8,28). Isso pode não significar aquilo que queremos, mas será sempre o que é necessário para que possamos vislumbrar aquele lugar que Deus preparou para os seus amados e ouvir o convite: “Vinde, benditos de meu Pai, tomai posse do Reino que vos está preparado desde a criação do mundo” (Mt 25,34).

Nosso Senhor, em diversos momentos da sua pregação afirmou: “Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas as coisas vos serão dadas em acréscimo” (Mt 6,33) e também: “portanto, sede perfeitos, assim como vosso Pai celeste é perfeito” (Mt 5,48) e ainda em diversas outras parábolas, aponta o Reino dos Céus como uma meta a ser desejada a cima de todas as coisas, como no caso do negociante de pérolas que vende tudo para comprar o campo onde está um pérola preciosíssima.


E portanto, para mim, cada dia fica mais claro qual o objetivo da minha busca, o objetivo certo e verdadeiro. Deus quer a busca pela santidade preceda qualquer outra coisa, porque a busca pela santidade não é nada mais, nada menos do que a busca por ser íntimo  d’Ele. É desejo de Nosso Senhor que nos envolvamos de modo íntimo intimo (sem acento, é a primeira pessoa do verbo “intimar”, no presente do indicativo) com Ele, levando uma vida unida a Ele, como o ramo à videira. E como disse Ele, “todas as coisas vos serão dadas por acréscimo” (Mt 6,33). Buscando primeiro as coisas do alto, obtemos primeiro o que realmente precisamos. Tudo mais será lucro.




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